O
amor verdadeiro é resistente ao tempo, não importa por quanto tempo não
nos vimos mais, ele é capaz de sobreviver somente de boas lembranças.
Seguiam à nossa frente. Passo lento, cadenciado. Mãos dadas. As cabeças
nevadas e a lentidão do passo lhes denunciavam a idade avançada. Um
homem. Uma mulher. Um casal de velhos. De mãos dadas, enamorados. As
mãos enlaçadas firmemente, como a dizer que um se constituía no apoio do
outro. Assim no físico, assim no afeto. Ficamos a imaginá-los, na
esteira do tempo, jovens, rindo e correndo pelo parque, sob as bênçãos
do sol.
Pra você guardei o amor
Que nunca soube dar
O amor que tive e vi sem me deixar
Sentir sem conseguir provar
Sem entregar
E repartir
Pra você guardei o amor
Que sempre quis mostrar
O amor que vive em mim vem visitar
Sorrir, vem colorir solar
Vem esquentar
Esses olhos que encantam misteriosos, esse olhos me espreitam e deles, nada sei além do mistério.
Deixam à mostra, entre longos cílios o brilho de um fogo que arde...
São para mim, como um par de pedras, porém não frias (nem amigas)...
Pedras que brilham com o cair do sol... Insistentes, esses olhos me seguem, perseguem meus movimentos paralisam meus sentidos...
São para mim como tesouros distantes, porém não inatingíveis (nem ao meu alcance).
Joias de beleza rara retratadas em profundo castanho...
(Margareth Cendon)


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